A ingestão de metanol representa um risco grave para a saúde, podendo trazer consequências fatais. Segundo especialistas, o metanol não possui dose segura para consumo, diferente do etanol, que mesmo sendo uma substância tóxica, pode ser tolerado em pequenas quantidades.
Efeito do Metanol
O perigo está na forma como o organismo processa a substância. Após ser ingerido, o metanol é metabolizado e convertido em formaldeído (formol) e em seguida em ácido fórmico, composto considerado tóxico. Esse processo desencadeia uma condição que altera o equilíbrio químico do corpo, podendo levar à falência dos órgãos.
Um dos órgãos mais afetados é o nervo óptico, responsável pela visão. Segundo profissionais da área médica, o dano pode ser irreversível caso o tratamento não seja iniciado nas primeiras horas após a intoxicação. Em situações onde os pacientes recebem atendimento rápido, há chances de recuperação parcial da visão.
Primeiros Sinais
Os sintomas iniciais da intoxicação podem surgir até 12 horas após o consumo, por serem confundidos com os de uma ressaca comum, alguns sinais estão em alertas, como: visão turva, náusea, dores abdominais e falta de ar.
Os especialistas chamam atenção para o perigo dessa confusão, pois a demora na busca por atendimento médico pode aumentar o risco de complicações graves e danos irreversíveis.
Tratamento da intoxicação por Metanol
No Brasil, temos disponíveis dois antídotos para tratar a intoxicação, entre elas estão:
O etanol farmacêutico, administrado por via oral ou intravenosa, é o tratamento que o paciente recebe doses controladas de etanol, substância que compete com o metanol no metabolismo hepático. Dessa forma, o corpo deixa de transformar o metanol em ácido fórmico e o elimina de forma mais segura, por outras vias.
Durante o processo, é necessário manter níveis constantes de etanol no sangue por um período prolongado, o que exige monitoramento contínuo. Em muitos casos, o tratamento é complementado com hemodiálise, procedimento que auxilia na filtragem do sangue e na remoção das toxinas restantes.
Além disso, temos o tratamento pelo fomepizol, que age inibindo a enzima responsável por transformar o metanol em compostos tóxicos, como o formaldeído e o ácido fórmico. Ao interromper essa reação, o medicamento reduz o risco de danos ao sistema nervoso e à visão, aumentando as chances da recuperação sem sequelas.
O objetivo principal dos tratamentos é impedir que o metanol seja transformado em ácido fórmico, composto altamente tóxico gerado durante o processo de metabolização no fígado. É justamente esse ácido que causa os danos graves ao organismo, incluindo a falência de órgãos e a cegueira.

Os tratamentos devem ser feitos logo após a intoxicação e de forma segura sob a supervisão de profissionais da saúde e em ambiente hospitalar.
Reforçamos o alerta sobre a importância de não consumir produtos de origem duvidosa, especialmente bebidas alcoólicas sem procedência, e de procurar ajuda médica imediata ao apresentar sinais de intoxicação após a ingestão de bebidas.
Últimas atualizações
Até o momento, de acordo com o Ministério da saúde, 235 casos foram relatados como intoxicação e estão em investigação, a maioria está concentrada em São Paulo, com 181 registros. Em seguida aparecem Pernambuco (24), Paraná (5), Rio de Janeiro (5), Rio Grande do Sul (4), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (4), Espírito Santo (3), Goiás (2), Acre (1), Paraíba (1) e Rondônia (1). – Atualizado Quarta-Feira (08/10).

